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Por Lisandra Paraguassu e Lucinda Elliott
BRASÍLIA/MONTEVIDÉU, 6 Fev (Reuters) - O Brasil está considerando pela primeira vez promover um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, disseram altos funcionários do governo brasileiro, o que seria uma grande mudança para a maior economia da América Latina.
O Brasil há muito tempo veta negociações formais com Pequim para proteger os fabricantes nacionais do aumento das importações chinesas. Mas, como Pequim busca laços comerciais mais profundos e os Estados Unidos impuseram ondas de tarifas, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está agora reconsiderando essa postura.
Uma declaração conjunta emitida durante a visita do presidente do Uruguai, Yamandu Orsi, a Pequim para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, nesta semana disse que ambos presidentes esperavam que as negociações de livre comércio entre a China e o Mercosul pudessem começar "o mais rápido possível".
O Mercosul inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia prestes a se tornar membro pleno.
Embora um pacto comercial formal e abrangente ainda esteja distante, dois funcionários do governo brasileiro afirmaram que um acordo parcial entre o Mercosul e a China agora é visto como um resultado plausível a longo prazo, impulsionado pelas tarifas impostas pelos EUA sobre produtos de parceiros comerciais, que perturbaram o comércio global e remodelaram as alianças comerciais.
Os ministérios das Relações Exteriores e do Comércio da China não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
A mudança de postura do Brasil reflete o que um dos funcionários, que pediu para não ser identificado devido à sensibilidade das negociações, chamou de "novo cenário global".
"Temos que diversificar nossos parceiros", disse o funcionário. "A China tem a vantagem de que podemos trabalhar com um acordo parcial, apenas em algumas linhas tarifárias", acrescentou.
Outro funcionário brasileiro diretamente envolvido nas negociações internas do Mercosul disse que o bloco poderia avançar em barreiras não tarifárias, como cotas de importação, procedimentos alfandegários e regulamentos de saúde e segurança, o que por si só criaria aberturas significativas no mercado chinês.
O funcionário disse que é muito cedo para especificar quais setores de negócios poderiam ser discutidos, descrevendo a questão como "altamente complexa".
"NOVA DINÂMICA NA REGIÃO"
O Brasil tem sido cauteloso em relação a um pacto mais amplo, por temer que a vasta produção industrial da China possa sobrecarregar os fabricantes nacionais.
No entanto, os investimentos chineses na produção brasileira cresceram nos últimos anos — uma expansão que Brasília deseja manter.
As políticas econômicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incluíram pressionar os governos latino-americanos a restringir os laços com a China, provavelmente estão levando Pequim a firmar novos acordos comerciais na região, disse Ignacio Bartesaghi, especialista em política externa da Universidade Católica do Uruguai.
"Há uma nova dinâmica na região no que diz respeito ao comércio, impulsionada principalmente por Trump", disse Bartesaghi.
"Ideias que antes pareciam totalmente paralisadas agora podem avançar", acrescentou.
No entanto, qualquer acordo do Mercosul exige o consenso de todos os seus membros, o que levantaria uma série de desafios significativos.
O Paraguai é um dos apenas 12 países em todo o mundo que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan, reivindicada pela China, um fator que complica — embora não necessariamente exclua — qualquer acordo com Pequim, disseram as autoridades brasileiras.
O Paraguai importou mercadorias da China no valor de US$6,12 bilhões em 2025 e foi incluído nas discussões entre o Mercosul e a China, sinalizando que o diálogo continua possível. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, disse que não se opõe a um pacto entre o Mercosul e a China, desde que o direito do Paraguai de manter relações diplomáticas com Taiwan seja respeitado.
"Se existe hoje um bloco que pode negociar com qualquer país ou bloco, esse bloco é o Mercosul", disse Peña em uma entrevista concedida em julho à mídia argentina.
A Argentina, terceira maior economia da América Latina, também pode dificultar o consenso. O país se aproximou de Washington sob o governo do presidente Javier Milei, que assumiu o cargo em 2023. Milei priorizou o fortalecimento das relações com os EUA, incluindo um acordo de swap cambial de US$20 bilhões com o Tesouro norte-americano.
A China continua sendo um credor importante e um grande comprador das exportações agrícolas da Argentina.
Mas Buenos Aires pode relutar em apoiar as negociações lideradas pela China dentro do Mercosul, pelo menos no curto prazo, disseram especialistas como Bartesaghi, especialmente se tais negociações puderem prejudicar os esforços de Milei para garantir o apoio dos EUA às reformas econômicas e ao financiamento.
O Ministério das Relações Exteriores da Argentina disse que não comentaria "hipóteses" quando questionado pela Reuters sobre as negociações entre o Mercosul e a China.
"A Argentina mantém relações cordiais com a China — elas apenas não são muito visíveis", disse Florencia Rubiolo, diretora do think tank argentino Insight 21.
Elevar os laços por meio de um acordo em todo o Mercosul tornaria essa relação mais clara, disse ela.
"Se se trata de gestos diplomáticos, parece improvável que o governo apoie tal acordo", acrescentou.
(Reportagem de Lucinda Elliott, em Montevidéu, e Lisandra Paraguassu, em Brasília; Reportagem adicional de Daniela Desantis, em Assunção; Lucila Sigal, em Buenos Aires, e Ryan Woo, em Pequim)