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Por Roberto Samora
SÃO PAULO, 24 Fev (Reuters) - A produção de açúcar do centro-sul do Brasil na nova temporada 2026/27, que começa em abril na principal região produtora do mundo, deverá somar 40,5 milhões de toneladas, uma estabilidade em relação ao ciclo anterior apesar da redução na destinação de cana-de-açúcar para a produção do adoçante, estimou nesta terça-feira a Hedgepoint Global Markets.
Isso será possível à medida que se espera uma recuperação na safra de cana para 630 milhões de toneladas, 20 milhões acima do ciclo 2025/26, segundo avaliações da consultoria e gestão de riscos.
O chamado "mix" para o açúcar será reduzido para 48,6%, dois pontos percentuais abaixo dos 50,6% registrados no ciclo anterior, estimou a Hedgepoint, já que os preços da commodity estão oscilando perto dos menores patamares em cinco anos na bolsa de Nova York, o que levará usinas a alocar mais cana para a produção de etanol e menos para o adoçante.
Na avaliação da analista Lívea Coda, especialista em açúcar da empresa, o "mix" do centro-sul deveria ser ainda mais baixo, em torno de 46%, para ajudar a reduzir o excedente global, mas há limitações industriais e também relacionadas a vendas antecipadas pelo setor.
"Existem restrições físicas que não vão permitir que a gente chegue aos 46%. Por quê? Já tem volumes de açúcar vendidos no ano passado a valores mais altos e muito usineiro não vai sair dessa posição e fazer outra posição em etanol", explicou ela a jornalistas, citando também que muitas empresas realizaram investimentos anteriormente em cristalização de açúcar.
Neste contexto, ela avalia que a tendência é "baixista" em um mercado global superavitário para o açúcar, e que uma solução "mais barata" para o setor seria criar demanda para o etanol hidratado no Brasil, com maior produção que tende a pressionar também os preços do biocombustível.
"Vai precisar que o preço de etanol se corrija de tal forma que fique mais vantajoso para o consumidor colocar etanol e não gasolina, aí vai criar demanda por etanol hidratado", declarou.
Em São Paulo, o preço médio do etanol hidratado nas usinas está mais perto de R$3 por litro. "Deveria cair para cerca de R$2,3/litro na safra para gerar esta demanda e para solucionar também o estoque de hidratado."
Portanto, acrescentou Coda, o piso do valor do açúcar nesta safra é aquele que gera demanda de hidratado, e que ao gerar demanda de hidratado ajuda a limitar o excedente global de açúcar, estimado em 2,8 milhões de toneladas em 2025/26 (outubro/setembro).
Ela comentou que o preço equivalente do hidratado de R$2,3 por litro é 13,5 centavos de dólar por libra-peso no contrato negociado na bolsa de referência de Nova York.
"A gente já chegou muito perto disso", destacou, citando a mínima de cinco anos de 13,67 centavos vista neste mês.
MAIS ETANOL
O preço do etanol hidratado registrou queda pela terceira semana consecutiva nas usinas paulistas, para R$2,9442/litro, na última sexta-feira, de acordo com dados do centro de estudos Cepea, da Esalq/USP.
Em análise na véspera, o Cepea afirmou que a proximidade do início da moagem da nova temporada 2026/27 tem mantido compradores afastados do mercado spot, já que agentes acreditam que volumes de etanol do novo ciclo poderão estar disponíveis já a partir de março em algumas plantas do centro-sul.
Coda, da Hedgepoint, acrescentou que algumas pessoas acreditam em uma antecipação da moagem da safra para que as empresas possam garantir lucros, antes que os volumes de etanol cresçam mais no mercado ao longo da safra.
Não bastasse a maior produção de etanol de cana, o centro-sul do Brasil ampliará a fabricação do biocombustível também devido à crescente oferta do produto feito a partir de grãos, principalmente milho.
A produção total de etanol na safra 2026/27 está estimada em 37,5 bilhões de litros, um aumento de 3,5 bilhões de litros (+10,3%) em relação a 2025/26, segundo dados da associação do setor Unica e projeções da Hedgepoint.
(Por Roberto Samora)