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O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acusou, nesta sexta-feira (30), seu par americano, Donald Trump, de querer "asfixiar" a economia da ilha comunista, onde apagões diários se estendem por horas e as filas nos postos de gasolina não param de aumentar.
Na quinta-feira, Trump emitiu um decreto no qual ameaça com tarifas os países que vendem petróleo para Cuba e assegura que a ilha comunista representa uma "ameaça excepcional" para a segurança nacional dos Estados Unidos.
O anúncio preocupa a população cubana.
"Isso vai impactar diretamente a vida do cubano, mais cedo ou mais tarde isso vai influir, essa é a intenção", disse à AFP Jorge Rodríguez, analista de sistemas de 60 anos, em frente a um posto de gasolina com longas filas para abastecer em Havana. "É preciso se sentar para negociar" com Trump, opinou.
O presidente cubano assegurou, nesta sexta, que a ameaça tarifária de Trump a países que vendem petróleo para Havana "pretende asfixiar a economia cubana".
"Esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma corja que sequestrou os interesses do povo americano com fins puramente pessoais", acrescentou Díaz-Canel no X, em clara alusão ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, um cubano-americano originário da Flórida que não esconde o desejo de ver uma mudança de regime em Havana.
A China também protestou contra a ameaça tarifária de Trump. O porta-voz da Chancelaria chinesa, Guo Jiakun, disse, nesta sexta, que seu país "apoia Cuba firmemente na defesa de sua soberania e segurança nacionais e em repúdio à interferência externa".
"A China se opõe firmemente a medidas que privem o povo cubano de seu direito à subsistência e ao desenvolvimento", acrescentou.
Na noite de quinta-feira, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, já tinha denunciado o "brutal ato de agressão" contra seu povo que, "durante mais de 65 anos" tem sido submetido "ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico já aplicado contra toda uma nação".
A ilha caribenha, governada pelo Partido Comunista de Cuba (PCC, único), é submetida a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, que Trump reforçou consideravelmente desde seu primeiro mandato (2017-2021).
- Mais pressão -
Este decreto aumenta a pressão sobre a ilha, imersa em uma grave crise econômica e com sérias dificuldades para atender às suas necessidades de combustível e eletricidade.
Na manhã desta sexta, devido aos cortes de eletricidade que afetam o acesso à internet e à mídia, muitos cubanos desconheciam as ameaças americanas.
Segundo o texto do decreto, a decisão americana se baseia na declaração de um "estado de emergência" em relação à "ameaça excepcional" que Cuba representa para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Em particular, Washington critica as autoridades cubanas por "se alinharem e apoiarem vários países, organizações terroristas internacionais e atores hostis aos Estados Unidos", entre eles Rússia, China, Irã, e os grupos Hamas e Hezbollah.
Cuba também é acusada de "desestabilizar a região mediante a imigração e a violência", ao mesmo tempo em que "propaga suas ideias, programas e práticas comunistas".
O decreto americano não detalha quais países seriam punidos com tarifas, mas na região, o México ainda fornece petróleo a Cuba.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou na terça-feira que "o México seguirá sendo solidário" com Cuba. "A decisão do México de vender ou dar petróleo a Cuba por razões humanitárias também tem a ver com uma decisão soberana", que dura vários anos, disse.
Entre janeiro e setembro de 2025, a petroleira mexicana Pemex exportou para a ilha 17.200 barris de petróleo bruto por dia e 2.000 barris de derivados, totalizando 400 milhões de dólares (aproximadamente R$ 2 bilhões, na cotação da época), segundo dados oficiais.
No começo de janeiro, Trump já tinha ameaçado o governo cubano. "Não HAVERÁ MAIS PETRÓLEO, NEM DINHEIRO PARA CUBA: ZERO!", assegurou, uma semana depois da surpreendente captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças americanas.
"Sugiro-lhes encarecidamente que cheguem a um acordo antes que seja tarde demais", acrescentou, sem dar detalhes da natureza do acordo em questão.
Díaz-Canel afirmou, então, que "não existem diálogos" em curso entre seu país e os Estados Unidos.
Após a captura de Maduro, Trump pôs sob controle americano o setor petroleiro da Venezuela, que foi o principal fornecedor de petróleo para Cuba, seu aliado, no último quarto de século.
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