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Por David Brunnstrom
WASHINGTON, 25 Fev (Reuters) - Um número recorde de 129 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos no exercício de suas funções no ano passado, dois terços deles por Israel, informou nesta quarta-feira o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Foi o segundo ano consecutivo em que os assassinatos de jornalistas bateram um recorde e o segundo ano consecutivo em que Israel foi responsável por dois terços deles, informou o CPJ, uma organização independente com sede em Nova York que documenta ataques à imprensa, em seu relatório anual.
Os ataques israelenses mataram 86 jornalistas em 2025, a maioria palestinos em Gaza, mas também incluindo 31 profissionais em um ataque a um centro de mídia houthi no Iêmen, o segundo ataque mais mortal já registrado pelo CPJ, informou a organização.
Israel também foi responsável por 81% dos 47 assassinatos que o CPJ classificou como alvos intencionais, ou “homicídios”. O relatório afirma que o número real provavelmente é maior devido às restrições de acesso que dificultaram a verificação em Gaza.
As Forças Armadas de Israel afirmam que suas tropas em Gaza têm como alvo apenas combatentes, mas que operar em zonas de combate acarreta riscos inerentes. Israel reconheceu ter atacado o centro de mídia no Iêmen em setembro, descrevendo-o na época como um braço de propaganda dos houthis.
Em vários casos, Israel reconheceu ter atacado jornalistas em Gaza que, segundo ele, tinham ligações com o Hamas, sem fornecer provas verificáveis. Organizações internacionais de notícias negaram veementemente que os repórteres mortos tivessem ligações com militantes. O CPJ chamou essas alegações de Israel de “calúnias mortais”.
Uma declaração das Forças de Defesa de Israel (IDF) disse que “rejeita veementemente” as alegações apresentadas no relatório do CPJ.
“As IDF não ferem intencionalmente jornalistas ou seus familiares”, afirmou. “O relatório se baseia em alegações gerais, dados de origem desconhecida e conclusões predeterminadas, sem levar em consideração a complexidade do combate ou os esforços das IDF para mitigar os danos a não combatentes.”
MAIORIA DOS JORNALISTAS MORRE EM CONFLITOS
Israel não permite que jornalistas estrangeiros entrem em Gaza, portanto, todos os profissionais da mídia mortos lá eram palestinos.
O relatório do CPJ afirmou que “os militares israelenses cometeram mais assassinatos direcionados à imprensa do que qualquer outro exército governamental registrado”, observando que o CPJ começou a coletar dados há mais de três décadas.
O relatório afirma que pelo menos 104 dos 129 jornalistas mortos morreram em conexão com conflitos. Além de Gaza e Iêmen, os países mais mortíferos para jornalistas incluem o Sudão, onde nove foram mortos, e o México, onde seis morreram. Quatro jornalistas ucranianos foram mortos pelas forças russas e três jornalistas morreram nas Filipinas, afirma o relatório.
A embaixada da Rússia em Washington não respondeu especificamente ao relatório do CPJ, mas se referiu a declarações anteriores do Ministério das Relações Exteriores russo acusando Kiev de ser responsável pela morte de mais de 60 pessoas que trabalhavam na mídia russa desde 2014.
A Rússia já negou anteriormente ter atacado jornalistas deliberadamente e a Ucrânia nega ter atacado repórteres russos.
Entre os mortos em Gaza no ano passado estava o jornalista da Reuters Hussam al-Masri, morto por tiros israelenses em agosto enquanto operava uma transmissão de vídeo ao vivo no Hospital Nasser, no enclave.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que lamentava o ataque, que também matou outros quatro jornalistas, como um “acidente trágico”.
Os militares israelenses afirmaram ter atacado uma câmera do Hamas, mas uma investigação da Reuters concluiu que o dispositivo pertencia à Reuters.
(Reportagem de David Brunnstrom; Reportagem adicional de Rami Ayyub em Jerusalém)